O fenómeno Commodore 64

 

A mais recente newsletter da Maxideia traz-nos à memória um dos primeiros fenómenos da era informática. Foi em Agosto de 1982 que foi colocado no mercado o Commodore 64, o primeiro computador verdadeiramente destinado ao grande público, com um preço de $595 USD.

 

Pode ser difícil de perceber para quem hoje está habituado a trabalhar com 1 ou 2Gb de RAM que nesta máquina de 64kilobytes de RAM corriam jogos e software empresarial (10.000 títulos editados) cujo uso se fazia mesmo tendo de esperar 15 minutos que as cassetes com as aplicações funcionassem.

 

O motivo pelo qual destaco aqui esta máquina é o facto de, ainda hoje, ser o computador pessoal mais vendido de sempre com 30 milhões de unidades vendidas entre 1982 e 1994.

 

A sua estratégia de custos foi bem sucedida na altura, tendo a empresa adoptado uma estratégia de integração vertical, assumindo internamente a produção de alguns dos componentes.

 

Apesar do preço de venda de $595 USD, hoje em dia comparável a qualquer  PC (secretária ou até portátil) ou consola,  o seu custo de produção é estimado como tendo sido de $135 USD, um valor surpreendente quando pouco tempo antes os 64 kilobytes de memória custavam sozinhos $100 USD…

 

Para além das características técnicas que colocavam o Commodore 64 na linha da frente, uma vantagem marcava a diferença: o facto de poder ser ligado a qualquer televisor, não necessitando assim de se adquirir um monitor específico.

 

Porém, o aspecto que terá mais provavelmente tornado este PC num fenómeno foi o facto de, ao contrário da concorrência e do que até aí tinha sido feito, o Commodore 64 ter sido colocado à venda não só em lojas especializadas de electrónica como em grandes superfícies e lojas de brinquedos de forma a chegar o mais próximo possível do grande público.


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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