sobre a Gesventure e a Biotecnologia

Respostas de Francisco Banha à jornalista Sofia Lobato do Diário Económico.

7/03/08

 

– Em que empresas de biotecnologia é que a Gesventure está a investir?

 

A Gesventure não é uma empresa de capital de risco mas sim uma Entidade catalizadora de investimentos para os projectos de elevado potencial de crescimento e valorização, nomeadamente na área da Indústria de Capital de Risco, nacional e internacional, assim como na prestação de serviços que apoiem os Promotores desses projectos ao nível da vertente estratégica, financeira e de organização empresarial.

 

Nesta actividade, estivemos já directamente envolvidos na angariação de 16,4 milhões de euros, dos quais 1,7 destinados ao sector da biotecnologia, em particular no financiamento do negócio da Bioalvo e da Biotrend. Estivemos também indirectamente envolvidos na Tolife que angariou após participação num dos nossos Venture Capital IT 2,2 milhões de euros (recordo que há pouco tempo, após dois anos e meio do investimento, a Tolife foi alienada por 5,5 milhões de euros, possibilitando mais valias de €3,3 milhões).

 

– Porque é que a biotecnologia é particularmente interessante para as sociedades de capital de risco?

 

A biotecnologia é o conjunto de tecnologias avançadas que permitem a descoberta e manipulação dos segredos da vida desde os genes até ao complexo funcionamento do corpo humano, passando pelo estudo e utilização de microorganismos em processos industriais como substituintes de reacções químicas. Nos campos da saúde, agricultura, indústria alimentar e protecção do ambiente a sua contribuição é portanto essencial e está sempre presente nas nossas vidas.

 

Como pode constatar, este sector de que tanto se fala mas que tão difícil é de desenvolver está presente no nosso quotidiano e é considerado de vital importância para o desenvolvimento da sociedade.

 

Alguns exemplos práticos ilustrativos são a redução do uso de pesticidas e químicos industriais convencionais altamente poluentes e tóxicos, o aumento no volume de colheitas de cereais e a sua produção com um maior valor nutricional (contribuindo assim para a resolução dos problemas de fome nos países do submundo), a obtenção de insulina mais barata e mais segura para os doentes de diabetes, a terapia génica de doenças como o cancro ou a hemofilia, entre muitos outros.

 

Apesar da Biotecnologia influenciar em grande escala as nossas vidas, cabe-nos avaliar

também o impacto que esta tem sobre a economia. Nos finais da década de 90 foi possível

observar, em especial nos Estados Unidos da América, o aparecimento e consolidação desta indústria que ainda hoje reúne elevada expectativa. A origem neste país deveu-se em grande parte aos métodos de ensino mais práticos, à forte ligação entre universidades e empresas, à regulamentação menos pesada do que noutros países e a uma cultura favorável ao risco e à tecnologia. Talvez estes sejam os ingredientes para que Portugal se possa vir a destacar neste sector.

 

As vantagens desta indústria em detrimento das tradicionais são claras: utilização de capital intensivo, aposta em elevados níveis de formação, não poluente e bem vista pela sociedade devido ao forte impacto que tem na nossa vida. Um forte investimento na biotecnologia e em todos os agentes que a rodeiam poderia colocar Portugal numa posição de destaque ao nível tecnológico, de onde não só se vendessem produtos mas principalmente capital conhecimento.

 

Em 2006 a biotecnolgia foi alvo de mais de €14 milhões de investimento via capital de risco em Portugal. Os números apresentados pela APCRI para o primeiro semestre de 2007 não são, pelo contrário, já tão animadores (apenas 938 mil euros).

 

O potencial de mercado deste sector é inevitável. Segundo dados recolhidos no mercado norte-americano, em 10 anos (1996-2006) o mercado de diagnósticos (testes de gravidez, testes virais, testes oncológicos, anticorpos) cresceu de 2,1 para 5,9 mil milhões de dólares. O mercado farmacêutico (ex: insulina, hormonas de crescimento, vacinas, etc) evoluiu de igual forma, com um crescimento de 8,7 para 34 mil milhões de dólares.

 

 

– Em que outras áreas é que pretendem investir nos próximos meses?

 

Apesar de não realizarmos investimentos, temos acompanhado de perto os sectores mais procurados ao nível de early stage, quer por parte das sociedades de capital de risco quer por parte dos business angels ao nível Europeu.

 

Com base nos sectores que têm obtido destaque nas iniciativas do EASY (Early Stage Investors), iniciativa da qual a Gesventure é a responsável em Portugal, podemos afirmar que têm despertado mais interesse: Ciências da Vida, Equipamentos e Serviços Médicos, Tecnologias de Informação e Comunicação, Media, Design, Transporte e Logística e Tecnologias “Verdes”.

 

Apesar de enquanto Gesventure não efectuarmos investimentos, o mesmo não acontece a título individual. Francisco Banha, CEO da Gesventure e Presidente da Federação Nacional de Associações de Business Angels investiu, a par com outros investidores do Business Angels Club, em dois projectos em 2007, nomeadamente a ZONADVANCED e a ORTIK. Refira-se que ambos os projectos participaram no Programa EASY (ZONADVANCED – EASY Estoril; ORTIK – EASY Milão), reflect
indo, assim, 2 sectores que se encontram entre os mais interessantes para os investidores nesta fase de investimento.

 

 

– Quais são os vossos projectos para 2008?

 

Conforme referimos na questão anterior, somos responsáveis pela iniciativa EASY (www.earlystageinvestors.org), projecto que permite que investidores e empreendedores portugueses possam aceder a Fóruns de Investimento que decorrem em toda a Europa. Esta iniciativa já teve lugar em Paris, Helsínquia, Estoril e Milão, estando na agenda o fórum de Barcelona, Londres e Europa Central (a determinar).

 

A actividade da Gesventure concentra-se, porém, no mercado nacional, seleccionando e trabalhando com os cerca de 400 projectos que nos chegam anualmente, de forma a que possam vir a ser financiados, quer por sociedades de capital de risco, quer por business angels, alguns destes projectos que se enquadram, sobretudo, nas fases seed e start-up.

 

A Gesventure tem assumido desde a sua criação um papel preponderante na divulgação dos conceitos de empreendedorismo, capital de risco e business angels, estando previstos para este ano o 8º Venture Capital IT – Congresso Internacional de Empreendedorismo e Capital de Risco (8-9 de Abril) e o 10º Encontro Gesventure, dedicado igualmente às temáticas do empreendedorismo e do capital de risco.


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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