Condições necessárias para a concretização de operações com Private Equity

Uma vez que os Investidores de Private Equity procuram cada vez mais empresas que possuam:

 

      Quota de mercado global, pelo menos a nível europeu

      Influência em cada um dos mercados – quota de mercado local

      Capacidade de Criação de valor (ganhos de eficiência)

      Controlo dos negócios e não dependência de terceiros

 

Faz com que a abordagem das Oportunidades que se lhes deparam seja bastante exigente ao nível dos seguintes critérios:

 

»      Na Avaliação prévia:

 

>      Da atractibilidade do negócio, perspectivas de crescimento, posicionamento no mercado;

 

>      Dos objectivos dos accionistas e das capacidade das equipas de gestão;

 

>      Da estrutura da operação e posterior perspectivas de saída

 

»      Estudo superficial (“Due-diligence” ligeira antes das negociações) que permita:

 

>      avaliar o empenho dos accionistas na operação;

>      obter uma ideia da qualidade do sistema de informação da empresa;

>      recolher informação para o seu modelo financeiro;

>      conhecer as equipas de gestão;

 

»      “Going Forward”

 

>      “Due diligence” pesada, negociações finais e aprovação interna (investidores);

 

 

Em face desta atitude, fácil será perceber que a maior parte dos projectos que as Private Equity analisam ficam pelo caminho na própria fase de avaliação e poucos chegam à fase da verdadeira Due Dilgence.

 

Nesse sentido para que um empresário tenha um projecto atractivo para um Private Equity e possa aumentar as possibilidades de sucesso e ultrapassar a grande selectividade dos investidores, é indispensável que dedique algum tempo à pré-selecção dos investidores e a uma preparação sustentada do Dossier, algo que muitas vezes pode ser conseguido com o apoio de consultores profissionais.

 

De forma telegráfica diria que um empreendedor que pretenda ter sucesso nas negociações com uma Private Equity terá de ter consciência que o seu negócio é possuidor dos seguintes requisitos:

 

1 – Trata-se de um projecto “simples” e com perspectivas de crescimento e de rentabilidade ou pelo contrário de um projecto em situação de “turnaround” ou de reestruturação complexa ?

 

2- Existem condições para a efectiva criação de valor, por parte das Equipes de Gestão que os Private Equity vão afectar ao projecto, que permita assegurar  uma taxa interna de rentabilidade interessante ou pelo contrário as margens de lucros previstas, a dimensão do mercado e a taxa de crescimento previsível são reduzidas? A este nível importa recordar os Private Equity encaram os seus investimentos como um negócio e não como um produto financeiro uma vez que se encontram disponíveis para assumir o risco na expectativa de obtenção de elevadas taxas de rentabilidade.

 

3- As perspectivas de saída futura do Private Equity do negócio permitem antever a materialização/maximização do retorno dos capitais investidos através da alienação da sua participação accionista em verdadeiro “ambiente” de mercado internacional ( Saída em Bolsa ou a venda a um investidor industrial ( “trade sale” ) ou pelo contrário, como normalmente acontece no mercado português, a existência de alternativas credíveis de alienação são limitadas ao território nacional e a investidores industriais uma vez que a saída em Bolsa é uma perspectiva a ser avaliada com muita prudência?

 

Em resumo uma vez que existem Private Equity nacionais e internacionais que não têm, à partida, impedimentos a investir no nosso País e que o recurso a estes fundos pode ser uma alternativa interessante para financiar determinados projectos portugueses com as condições atrás referidas, recomendo aos nossos empreendedores que não deixem de tomar a iniciativa de contactar os citados investidores pois dificilmente a iniciativa partirá destes uma vez que o mercado nacional não é para eles prioritário ao ponto de os levar a praticar uma atitude pró-activa na procura de operações.


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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