O Crescimento das Start-Ups

 

 

Num momento em que as palavras “crise” e “recessão económica” assombram o dia-a-dia das pessoas e das empresas, evidenciando um sentimento generalizado de mau-estar e de alguma desorientação da sociedade, importa recordar as sábias palavras do Professor Ernâni Lopes que ainda recentemente afirmou “momentos de crise sempre houve e haverá! O que conta não é lamentarmo-nos, mas antes buscar, com inteligência e esforço, novas soluções”. Temos, por isso, de aproveitar este momento desfavorável para descobrir novas oportunidades e traçar novos objectivos. Afinal, os maus anos também são de construir, criar, unir e encantar.

 

 

A história das revoluções tecnológicas é contada em ciclos de expansão, fracasso e reconstrução. Naturalmente que ninguém se consegue livrar dos maus tempos nos negócios mas a única forma de sair mais forte de uma recessão, do que quando se entrou, é através de novos produtos e novas tecnologias.

 

Eis um bom estímulo para que os Empreendedores, agora mais do que nunca, continuem a lutar pela força das suas ideias e pelas potencialidades dos seus projectos, e eis uma boa razão para se cultivar a iniciativa empreendedora através da mobilização enérgica dos actores, públicos e privados, do sector de capital de risco nacional para o investimento em projectos inovadores, pois a inovação é o parceiro silencioso que determina progresso e valor para a sociedade.

 

Com efeito, os investimentos inovadores nas áreas da Biotecnologia, Nanotecnologia, Infotecnologia e Neurotecnologia – elementos da Economia da Inovação – devem ser uma realidade a curto prazo para que possam contribuir para a prosperidade do nosso País. Precisamos, por isso, que muitas mais pessoas, empresas e universidades façam mais experiências e de um mercado que dê rapidamente escala às novas ideias mais promissoras. Lembro, a este propósito, que as grandes histórias de sucesso, entre empresas criadas neste início de século – Google, Yahoo, Skype, Ebay são disso excelentes exemplos – se devem a ideias aplicadas por pequenos empresários que não pertenciam à comunidade empresarial convencional, mas sim a grupos de estudantes oriundos de algumas das melhores Universidades a nível global.

 

Contudo, no nosso País, as Start-ups que se encontram em fase de desenvolvimento e de prospecção de mercado, após terem sido alvo de investimento por parte das SCR, não têm, na sua generalidade, vindo a apresentar índices de crescimento positivos face às expectativas inicialmente criadas, obrigando a equacionar, em alguns casos, tomadas de decisão que podem levar à descontinuidade desses projectos por falta de “massa critica”, mesmo que alguns deles tenham produtos de primeira classe e perspectivas de evolução excelentes face à qualidade da Equipe. Esta realidade, suscitará porventura especial inquietação sobretudo quando se sabe que poderia ser substancialmente diferente caso fosse implementado um Programa de Apoio que (i) viabilizasse a concessão de Contratos Públicos às PMEs, para que estas fornecessem aos diversos Organismos Públicos parte das suas necessidades orçamentais (ii) criasse a obrigatoriedade de as Grandes empresas subcontratarem às PMEs parte dos contratos que o Estado, por sua vez, lhes adjudica.

 

Nos EUA, o Governo, através da SBA – Small Business Administration, possibilita anualmente o desenvolvimento de centenas de Start-ups através dos seus Programas de aquisição de bens e serviços, os quais tem como objectivo conceder a essas PMEs uma quota mínima de 23% da totalidade dos respectivos orçamentos anuais. Em 2006, as PMEs receberam quase $80 mil milhões de adjudicações directas dos diversos Organismos Governamentais e mais de $60 mil milhões através de subcontratação por parte das Grande Empresas americanas. Não é, assim, de estranhar que muitas das empresas que estão hoje no topo das melhores empresas americanas, como a Apple, a FedEx, a Intel e a Staples – tenham recebido apoio da SBA na sua fase inicial de crescimento.

 

Os benefícios associados à implementação deste Programa são por demais evidentes para que, em Portugal, se continue a desperdiçar a vantagem competitiva que, por via do mesmo, se poderá alcançar, ao potenciar o crescimento de um número cada vez mais significativo de Start-ups inovadoras, ao nível da segurança e de criação de riqueza.

 

 

por Francisco Banha, Membro do Conselho Consultivo do Fórum para a Competitividade


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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