Os primeiros passos a dar quando se pensa internacionalizar um negócio

Antes de mais, é necessário QUERER crescer através da internacionalização pois só assim se faz o necessário para que a internacionalização aconteça. De seguida, é importante definir o perfil dos mercados de destino, o seu tamanho e estado de maturidade bem como identificar que produtos e serviços neles poderão ter maior receptividade e nos quais a empresa possua vantagens comparativas, seja em termos de conhecimento de tecnologia, seja experiência no uso de matérias primas, seja rapidez de tempo de entrega.

A escolha do(s) segmento(s) a abordar deve ser realizada tendo em conta os concorrentes que já se encontram no mercado, sendo recomendável a entrada por nichos de mercado não satisfeitos pelas empresas de maior dimensão e mais consolidadas uma vez que assim se podem criar os alicerces antes de encarar competidores maiores.

É igualmente importante avaliar previamente a velocidade de inovação existente no novo mercado uma vez que se esta for lenta, um ligeiro factor de inovação poderá fazer a diferença.

Se, pelo contrário, os players existentes nesses mercados estiverem a investir muito em inovação, é importante acautelar previamente o financiamento necessário para assegurar uma capacidade de inovação ao nível desse mercado.

Não posso ainda deixar de referir a identificação prévia de potenciais barreiras à entrada – sejam elevados investimentos necessários à instalação sejam impedimentos regulamentares/legislativos – que permitam delinear a estratégia de entrada compreendendo os obstáculos que surgirão.

Crescer com a internacionalização pode ser muito arriscado na medida em que o processo envolve competências específicas muitas vezes desconhecidas da organização pelo que se torna importante efectuar um levantamento prévio, o mais rigoroso possível, que permita ao empreendedor ter a possibilidade de saber lidar com elas antes de decidir avançar para esse estágio de crescimento pretendido.

Vide por exemplo a este propósito a metáfora utilizada por Jorma Olilla, ex-CEO da Nokia – "Quando um empreendedor californiano abre a porta da sua garagem tem perante si a maior economia do mundo. Quando um empreendedor finlandês abre a porta da sua, tem um metro de neve."

 


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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