Dificuldades e Oportunidades

Convido-o a ler um artigo elaborado pelo meu amigo Vítor Barbosa, Presidente da direcção da Alenbiz, Associação de Investidores do Alentejo sobre as dificuldades e oportunidades na actual Economia.

 

Vítor Barbosa

Presidente da direcção da Alenbiz, associação de investidores do Alentejo

 

"É reconhecido que a actual “pandemia” que grassa pela Economia Global veio questionar o modelo de desenvolvimento adoptado as sociedades mais desenvolvidas, o papel do Estado, das Instituições Financeiras e de Supervisão e – quero relevar – os nossos hábitos e modo de vida.

Em Portugal a nova realidade, que atingiu em cheio as nossas empresas – mesmo as mais competitivas – veio evidenciar as nossas fragilidades e dependências.

Esta situação impõe uma tomada de consciência e uma reflexão sobre o nosso papel colectivo e individual na sociedade: saídos há 35 anos de um mercado interno colonial, o nosso país ainda não consolidou o modelo de elo euro – atlântico que parece querer esboçar, nem cada um de nós se libertou da dependência do Estado nas nossas vidas e nas nossas iniciativas empresariais.

Desde Pombal ao Estado Novo que o poder do Estado se exerceu de forma excessivamente centralizada e concentrada. Está na nossa cultura de desresponsabilização querer um Estado que tudo determine, dirija e regulamente. A actual conjuntura veio de novo travar a sua reforma, dando argumentos aos que desejam o seu eterno adiamento.

A saída da crise impõe um caminho de melhoria da competitividade e da eficiência colectiva. Sem investimento privado disseminado nas pme’s e em actividades mais inovadoras e produtivas, a nossa progressão será medíocre. A iniciativa empresarial resultante da vontade individual de fazer melhor e diferente deve pois ser estimulada.

Cabe um papel fundamental à Escola, em especial à Universidade criar uma cultura de iniciativa e de responsabilidade como parte integrante da formação do indivíduo. A raiz do livre pensamento é a mesma da livre iniciativa.

Nas regiões do interior de Portugal, fruto da incapacidade do Estado de promover o Ordenamento equilibrado do Território, concentrando as populações no litoral, existem ainda regiões de enorme potencial.

Despovoadas e sem mercados de elevado consumo, estas regiões possuem um elevado potencial de melhoria da qualidade de vida se apostarem no conhecimento e na tecnologia, tanto no “upgrade” dos conhecimentos ancestrais como nos novos mercadores e valores, da preservação do ambiente às energias limpas, apoiando-se no conhecimento científico mas também nas artes e na cultura.

No Alentejo, onde tenho exercido a minha actividade profissional nos últimos 30 anos esta visão, parecendo óbvia, tarda a concretizar-se. Nesta região existe uma margem de crescimento elevado com pequeno investimento público, já que o “hardware” está lá todo: infra-estruturas de razoável qualidade na saúde e educação, excelentes acessibilidades, espaços de cultura e lazer. E como continua a ser melhorado, com ligações aéreas e de comboio de Alta Velocidade que a favorecem, o seu potencial será enorme.

É fundamental promover então o “software”, menos visível mas de elevada reprodução. Promover a qualificação e o ensino tecnológico e científico; incentivar e apoiar a iniciativa privada empresarial ou social, sustentada no conhecimento e na inovação; incutir a pedagogia da responsabilidade, aproveitando as dificuldades para criar oportunidades: criar o seu próprio negócio ou actividade, aplicar os conhecimentos e fazer melhor e diferente.

É no incentivo a estas actividades que algum esforço público se deve orientar, sem grandes regulamentos, instituições, linhas de crédito inacessíveis ou garantias infalíveis: mas com incentivos coerentes e claros ao investimento e regras simples e estáveis de acompanhamento.

O investimento directo na Economia Real numa perspectiva de proximidade parece ser uma excelente alternativa de rentabilidade dos recursos financeiros disponíveis dos aforradores, agora que se tornou mais evidente que não existe investimento sem risco nem aplicações financeiras com segurança absoluta.

Por isso a tentativa de concretizar em Portugal uma rede de investidores (conhecidos por Business Angels) promovida há alguns anos pela FNABA, e de que o Alenbiz é a expressão no Alentejo, poderá ser uma ferramenta extremamente relevante se estimulada e promovida com o enquadramento legal favorável que se faz esperar, agora que as dificuldades irão demonstrar a incapacidade da iniciativa pública tudo atender, agora que as dificuldades podem mobilizar as forças vivas da sociedade, todos nós, a ultrapassá-las, criando oportunidades."

 


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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