O Beta de um Fundo LBO em período de Crise

 

Antes de mais convém recordar que o Beta representa a medida do risco de uma empresa ou de um determinado sector que se pretende analisar.

 

Por sua vez o financiamento de aquisições por empréstimo, mais conhecido como LBO (leveraged buyout), é caracterizado pelo facto de os fundos de investimento adquirirem o controlo accionista de uma empresa através da assumpção de um empréstimo junto de entidades bancárias, sendo que o reembolso desse empréstimo é efectuado pela empresa adquirida, através dos seus lucros. O investimento é de risco já que o empréstimo contraído é enorme e este só se torna interessante para a empresa de Private Equity se o retorno esperado dos lucros vier a ocorrer a curto prazo.

 

Naturalmente que, em situações de crise, o recurso ao endividamento tem impacto principalmente sobre a estrutura de capital da empresa adquirida, pois os credores e accionistas passam a ter um maior risco de perdas caso a empresa diminua a sua actividade sendo este maior risco reflectido na estrutura de capital através de um maior prémio cobrado sobre o capital investido na empresa resultando por isso num maior custo de capital.

 

Ora este facto faz com que quanto mais uma empresa depender do financiamento através de dívida maior risco terão as suas acções ordinárias logo o seu beta é maior.

 

Não é por isso difícil de entender que o maior risco das operações desencadeadas por Operadores de Private Equity com recurso a LBO está indexado a dificuldades financeiras, que podem ser causadas por períodos de recessão económica e outras dificuldades complementares uma vez que estas prejudicam o cumprimento dos compromissos do calendário de pagamentos da dívida o que pode originar falências técnicas ou mesmo liquidações com carácter definitivo, implicando por isso, normalmente, perda dos investimentos da respectiva entidade de Private Equity.

De facto quando estas situações de crise se verificam a única solução é baixar os custos fixos, isto é, os custos com o pessoal e de estrutura (e também as despesas com a pesquisa e desenvolvimento – R&D), mantendo ou aumentando ao mesmo tempo a produção, através da eficiência da gestão dos recursos humanos e da optimização das operações de marketing.

 

Porém em períodos de crise, as empresas participadas pelos Fundos de LBO não podem continuar a reduzir, por exemplo, os custos de produção, pois normalmente já o tinham feito anteriormente a fim de se tornarem rentáveis. Com a impossibilidade de darem mais garantias aos bancos credores, a única solução será muitas vezes a sua insolvência o que naturalmente tem um impacto bastante grande no Beta pois este vai acabar por incorporar o risco económico e financeiro associado aos efeitos da Crise.·

 

Apesar das Operações de LBO serem um fenómeno generalizado na Europa conforme o demonstra o facto de só no ano de 2007 os empréstimos efectuados pela entidades bancárias a Fundos de LBO ter sido de mais de 140 mil milhões de euros o facto é que com a Crise financeira, os bancos fecharam a torneira a este tipo de empréstimos tornando-se assim esta categoria de investimento pouco segura para os Fundos de LBO.

 


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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