Empreendedorismo social

Recentemente fui a uma conferência em Mangualde, onde se reflectiu sobre empreendedorismo. Fui posteriormente contactado por um jovem que me pediu ajuda para encontrar a definição de um conceito muito em voga actualmente, empreendedorismo social.

Partilho as minhas reflexões sobre este tema.

Empreendedorismo social é ainda um conceito muito recente nos debates científicos, há várias discussões e tentativas de definição. Porém, encontramos discussões interessantes por parte de alguns autores e instituições.

Grosso modo, pode-se afirmar que o empreendedor social mobiliza as mesmas competências que o empreendedor de um negócio, mas sem fins lucrativos. Para o empreendedor social, as lacunas existentes no mercado e levam a uma oportunidade, não são mais que questões sociais ou ambientais que carecem de uma solução. O empreendedor social não espera que seja o Estado ou as empresas privadas a solucionar as questões que o preocupam, ele busca uma solução inovadora, conduzindo à mudança.

Como o empreendedor de um negócio, o empreendedor social constrói a partir do nada, é ambicioso, criativo, irrequieto e assume riscos.

Ao abordarmos o empreendedorismo social é obrigatória a referência à organização ASHOKA, fundada em 1980 por Bill Drayton. Para Drayton, os empreendedores sociais não se contentam com o dar o peixe ou o ensinar a pescar, eles quer ir mais longe, “não descansam enquanto não revolucionarem a indústria piscatória”.

Mais recentemente, a Fundação Schwab acrescenta que o empreendedor social pode também actuar a nível do desenvolvimento empresarial e pode até estar ligado a instituições com fins lucrativos. Para a Fundação Skoll, a diferença entre o empreendedor de um negócio e o social é apenas a abordagem, pois ambos têm de criar uma organização inovadora, sustentada, com alcance e impacto nas comunidades. Até porque o empreendedor de um negócio não é movido somente peço lucro, é movido também por objectivos sociais.

Se o empreendedorismo social é um estado de alma ou um conjunto de acções e competências técnicas concertadas, penso que ninguém sabe. Como diz o ditado "cada cabeça, sua sentença". Sugiro que cada um procure a definição que melhor se encaixe nos seus valores, contexto e experiências, pois não há certos nem errados, tão pouco, verdades ou mentiras.

Sugestão de Leitura

Empreendedores Sociales e Empresarios Responsables, de Marcelo Paladino, Amalia Milberg e Florencia Sánchez Iriondo (Fundação Avina), Editora Temas.

Sites a visitar

www.ashoka.org

www.skollfoundation.org

www.schwabfound.org

www.insead.edu/facultyresearch/centres/social_entrepreneurship/

 


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

Share This Post

Related Articles

© 2020 Francisco Banha Blog. All rights reserved. Site Admin · Entries RSS · Comments RSS
Designed by Theme Junkie · Adapted by KMedia.pt