Um serão agradável com Jack Lang

 

De facto, para além de ter a possibilidade de contribuir ano após ano para a criação do nosso Ecossistema Empreendedor – recordo que desde 1999 já passaram pelos citados eventos mais de meio milhar de oradores, dezenas de empreendedores em elevator pitch, dezenas de investidores, responsáveis de organismos públicos ligados ao empreendedorismo, professores universitários, entre muitos outros interessados neste tema – sinto um privilegio enorme em poder trocar experiências e conhecimentos com muitos dos especialistas que nos visitam.

 

Este ano, por exemplo, voltei a ter a possibilidade de interagir com o meu amigo, Jack Lang – celebre Professor de Cambridge que se tornou um dos BA mais famosos do mundo – com quem, entre outros assuntos, tive oportunidade de falar sobre os factores mais importantes na criação de um clima favorável à Inovação e ao Empreendedorismo.

 

Debaixo do seu aristocrático ar inglês , Jack, com uma paixão enorme começou por dar um grande suspiro "sabes Francisco, o primeiro factor tem a ver com o Tempo. Efectivamente o processo leva tempo conforme o demonstra o nosso exemplo de Cambridge com os seus cerca de 30 anos até que conseguíssemos chegar aquilo que somos hoje – uma verdadeira networking de pessoas que dá corpo a um Ecossistema que se auto-sustenta e onde por exemplo os Académicos se dão ao luxo de publicar estudos de sucesso sobre os diversos casos que nele emergem".

 

 

 

"Com o Tempo e com a criação daquela networking de pessoas, Francisco não se esqueça" dizia-me ele que "segundo os antropólogos uma só pessoa pode manter 200 contactos, o que permite que esses 200 contactos possam chegar a cerca de 40.000 pessoas, o número de pessoas que tem a minha cidade de Cambridge. Teremos que ter presente outros cinco factores a saber:

 

1.Observação

… de casos de pioneiros que mostraram ser possível ter sucesso sem terem de perder a "alma" ou dizia-me ele a rir " a casa"…de facto que melhor estimulo do que o provocado pelo efeito demonstração: se eles conseguem fazer, então eu também posso.

 

2. Experiência

… Se em dez novas empresas apenas uma tem sucesso então se alguém falhar não tem problema, desde que essa falha aconteça obviamente por razoes válidas e sem consequências desastrosas para o empreendedor e para a sua família.

 

Este factor interage com a questão cultural pois os investidores de capital de risco, quer os BA quer as sociedades de venture capital, privilegiam quem já teve experiência que lhe permite agora "ter a capacidade de pôr um dedo na agua e começar suavemente".

 

3. Complexidade

 

…A tarefa de constituir uma nova empresa não precisa de ser demasiado complexa mas sim possível de levar a termo dentro dos limites normais que uma pessoa ou uma pequena equipa pensam ser capazes de realizar.

 

Para que este factor possa ser uma realidade, os potenciais empreendedores têm de ter a nível local os serviços de apoio necessários desde incubadoras a profissionais de contabilidade, passando por financiamento e terminando por exemplo na existência de infra-estruturas de banda larga.

Ou seja, aqueles que pretendem criar uma empresa precisam do mínimo de confusão e atrasos de modo a que se possam concentrar nos verdadeiros problemas dos negócios como sejam o desenvolvimento e as vendas de tecnologia.

 

4. Compatibilidade

…Interessante sem sombra de dúvida a ideia do Jack sobre este factor. Segundo ele começar um novo negócio tem de ser compatível com o estilo de vida que as pessoas possuem. De facto começar um negocio exige muito trabalho mas não deve ser necessário ser obrigado a perder a sua "alma" ou por a sua família em risco…

 

5. Vantagens

 

…O "Jogo" de criar uma empresa tem de valer a pena. Que estimulo terá um grupo de alunos de uma universidade na criação de um spin-out se essa universidade ficar, por exemplo, com a maioria dos direitos relativos à exploração da tecnologia que essa spin-out vai desenvolver? 

Depois de ter concluído a sua ideia sobre este factor o meu amigo Jack ainda teve tempo para me recomendar a leitura de um dos livros mais interessantes para quem tem o sonho de lançar uma empresa. O livro é " The Diffusion of Innovation" de Everett Roger.

Após esta conversa de amigos fui eu próprio que inspirei o ar fresco que se fazia sentir naquele belo hotel de Caxias, e pensei para os meus botões – " podes não fazer operações de CR mas há algo que te podes orgulhar, o de contactares e seres amigo daqueles que sabem o que é um verdadeiro Ecossistema Empreendedor!!!"

 

Um dos momentos mais espectaculares da minha actividade, ocorre no decorrer dos eventos que realizamos ou seja o VCIT e o Encontro Gesventure.

 


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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