Medidas de Estímulo à Internacionalização das nossas PMEs

É com expectativa que tenho lido as recentes posições dos principais líderes, dos partidos políticos, sobre a necessidade de serem criadas condições, em particular ao nível fiscal e na constituição de Fundos de Capital de Risco específicos, que permitam às PMEs portuguesas internacionalizarem as suas actividades, de maneira a conseguirem aumentar as suas exportações, e dessa forma contribuírem para a criação de riqueza e bem estar que o nosso País tanto precisa.

Se aquelas expectativas se vierem a concretizar, como resultado da passagem a acções concretas das medidas, regularmente apresentadas, penso que a classe política terá cumprido uma função primordial ao promover um efectivo contributo para a criação de um ambiente mais propício ao financiamento da inovação e do empreendedorismo no nosso País. 

Com base neste futuro enquadramento, que acredito venha a ser uma realidade, pois se não o for não consigo perspectivar nada de bom para o nosso País…, considero ser este o momento chave para apelar aos empreendedores portugueses, à comunidade nacional de ‘business angels’ e aos organismos oficiais, uma reflexão atenta sobre o paradigma dos novos modelos de negócio e das empresas nascentes que, cada vez mais, se afirmam como as novas premissas de sucesso empresarial. E, mais ainda, como um imperativo de crescimento económico. 

Atente-se que, são precisamente estas empresas nascentes que, partindo de uma ideia nascida a nível regional mas projectada para o mercado global, se revelam mais capazes de vir a influenciar os mercados internacionais, criando emprego, valor e acima de tudo inovação.

Estima-se aliás que, 3 a 5% destas empresas nascentes têm capacidade de absorver entre 50 a 70% de todos os novos empregos, o que diz bem do importante papel que virão a desempenhar no futuro ao nível do bem-estar e da prosperidade das nossas sociedades. 

A este propósito, refira-se que nos EUA o número de trabalhadores por conta própria aumentou cerca de 16% em apenas 3 anos, atingindo a barreira dos 20 milhões de trabalhadores, graças, em grande parte, a novas empresas que baseiam os seus negócios num elevado nível de especialização e numa grande capacidade de inovar, respondendo com rapidez e flexibilidade às necessidades dos seus clientes.

Como exemplo clarificador desta situação veja-se o caso do Google que tendo nascido na sequência de uma “brincadeira” de dois jovens amigos, numa garagem no norte da Califórnia, que estavam insatisfeitos com os ‘sites’ de busca da época e que actualmente são possuidores de uma fortuna avaliada em mais de uma dezena de mil milhões de euros cada um. 

Efectivamente, a força motriz deste modelo de globalização depende do estabelecimento de inúmeros recursos e parcerias entre diferentes países para os quais as empresas nascentes pretendem expandir-se e no qual uma vigorosa comunidade mundial de ‘business angels’ se assume como sendo uma das estruturas mais bem posicionadas para suportar, a esse nível, a indispensável “explosão súbita” no crescimento global daquelas empresas, além do importante impulso que poderá proporcionar em matéria de investimentos transnacionais.

Há, pois, que reconhecer a nova janela de oportunidade que se abre para os empreendedores e business angels nacionais, nesta conjuntura económica cada vez mais propícia e abonatória das empresas com ambição global, capazes de criar novos conceitos e responder às necessidades crescentes dos mercados.

E, mais do que reconhecer, há que continuar a potenciar, no nosso País, as necessárias condições – como seja a adopção no Orçamento do Estado para 2010 de um enquadramento fiscal favorável a esta actividade de BA – para que os ‘business angels’ possam, de forma cada vez mais sustentada, apoiar e facilitar o crescimento das empresas nascentes com potencial transfronteiriço, sendo certo que ao fazê-lo, estarão a abrir, em igual medida, a janela global do crescimento económico e da inovação.


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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