Performance das empresas portuguesas nos seus processos de internacionalização

Diversos estudos têm sido feitos sobre esta matéria os quais, normalmente, associam a fraca performance das empresas portuguesas nos seus processos de internacionalização à desvantagem em termos de dimensão que possuem relativamente às suas congéneres europeias, a sua localização periférica e a imagem negativa de Portugal a que acrescento o facto de não se ter disponibilizado na altura certa e nos locais exactos os recursos necessários ao rejuvenescimento do tecido empresarial português de que a ausência de investimentos nas fases seed e start-up, por parte dos operadores de capital de risco, são ainda hoje um bom exemplo.

Contudo não me resigno a ver o nosso País a não ter capacidade para inverter este estado de coisas e nesse sentido acredito que com vontade e imaginação dos jovens portugueses, que cada vez mais estão a ser sensibilizados para a importância do empreendedorismo e da criação de empresas, associado ao facto de os aumentos na eficiência, devido aos avanços registados ao nível das tecnologias de informação, produção e comunicação, diminuírem os custos do negócio internacional, facilitarão a emergência nos próximos anos de várias start-ups com características globais.

À luz destes desenvolvimentos e o declínio contínuo dos custos em transporte e comunicação internacionais, o tamanho pequeno, a falta de recursos tangíveis substanciais e a incapacidade de aceder a informação cara já não serão barreiras à participação significativa em mercados internacionais.

É por isso que apesar da escassez financeira, humana e de recursos tangíveis que caracterizam a maioria dos novos negócios, acredito que as start-ups portuguesas, de alta tecnologia e alto know-how, poderão almejar um lugar no mercado internacional desde que alavancadas na inovação, no conhecimento empresarial e no acesso a fontes de financiamento proporcionados por Fundos de Equity quer sejam nacionais ou internacionais.

Temos, por isso, de aproveitar este momento desfavorável para descobrir novas oportunidades e traçar novos objectivos. Os períodos de recessão económica são óptimos para lançar novos negócios: os salários são baixos, as rendas mais baratas, há menos concorrência e ainda é possível encontrar bens e serviços a bons preços.

Afinal, os maus anos também são de construir, criar, unir e encantar.

 


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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