Educar os Empreendedores do Futuro

Num momento em que as palavras “crise” e “recessão económica” assombram o dia-a-dia das pessoas e das empresas, evidenciando um sentimento generalizado de mau-estar e de alguma desorientação da sociedade, importa recordar as sábias palavras do Professor Ernâni Lopes que, ainda recentemente, afirmou “momentos de crise sempre houve e haverá! O que conta não é lamentarmo-nos, mas antes buscar, com inteligência e esforço, novas soluções”. Temos, por isso, de aproveitar este momento desfavorável para descobrir novas oportunidades e traçar novos objectivos. Afinal, os maus anos também são de construir, criar, unir e encantar.

Um dos vectores de “solução” no qual acredito e no qual humildemente me reconheço é o Empreendedorismo. Não apenas o Empreendedorismo de criar empresas mas o Empreendedorismo como forma de estar na vida que leva os indivíduos a lutar pela força das suas ideias e pelas potencialidades dos seus sonhos.

Um Empreendedorismo que alguns dizem que não se aprende mas que eu vejo ser assimilado pelas mais variadas gerações quando estas têm oportunidade de conviver com ele e de se surpreender com o empreendedor que afinal tinham já dentro delas.

Na qualidade de empresário, percebo um mundo cada vez mais complexo, global, cruzado por comunicação instantânea, mergulhado em inovação tecnológica permanente, onde a interacção é constante, com empresas cada vez mais capazes e organizadas, de consumidores e grupos de interesses crescentemente mais exigentes que nos obrigam ao estudo exaustivo e multidisciplinar, como forma de conseguirmos fazer frente aos problemas que diariamente nos surgem.

É neste enquadramento de constante evolução tecnológica, que tudo torna perecível e permanentemente obsoleto, que a formação permanente se torna essencial à partilha do Conhecimento e consequentemente à criação de relações que nos ajudem a encontrar e integrar comunidades que nos possam ajudar a fazer novas coisas juntos. A criatividade, ao nascer do confronto de ideias, do desejo de fazer coisas diferentes, de ser rebelde em relação ao “status-quo”, de apostar em situações inovadoras, obriga a uma grande abertura de espírito e a uma curiosidade permanente para que possamos beneficiar do efeito de conectividade que caracteriza os dias de hoje.

Neste processo de partilha e transmissão de conhecimento, salta à vista que as pessoas que têm bons relacionamentos não têm necessariamente de ser extrovertidas mas sim possuidoras de conhecimento sobre determinados assuntos que lhes permitem ter conversas interessantes sobre diversos temas. Mas como poderemos nós conversar, num mundo globalizado, se não dominarmos uma segunda língua, de preferência o Inglês?

Ou como poderemos ter acesso à diversidade de vivências que de repente permite juntar várias ideias próprias, ou de outros, dando origem a novos produtos ou serviços, se não tivermos um espírito empreendedor que nos faça entender que perder num dia, apenas significa que teremos de continuar a tentar para conseguir obter sucesso mais à frente?

O conhecimento é, assim, a vantagem competitiva fundamental, para a sobrevivência das sociedades e de cada um de nós enquanto indivíduos, o que faz com que devamos encarar a formação como um investimento altamente reprodutivo e não como um desperdício de tempo e dinheiro.

Este meu contributo não é mais que a transmissão das minhas ideias sobre o mundo real onde os nossos filhos terão de desenvolver as suas actividades, sejam elas pessoais ou profissionais. Há muitos anos que considero que a definição de sucesso é puramente individual e medida por cada um. De facto, toda a gente quer alcançar o sucesso. Todos queremos ser bons em alguma coisa.

Alguns de nós querem, inclusivamente, tornar-se bons em várias coisas. No essencial, todos queremos que os nossos filhos sejam felizes e bem sucedidos. Mas como poderão eles alcançar esse estado mental de felicidade que o sucesso normalmente lhes pode proporcionar? Somente quando conseguirem ganhar consciência de para onde quererão ir, mudarem algumas ideias persistentes que muitos possuem e darem alguns passos na direcção correcta, coisas maravilhosas lhes podem acontecer.

Torna-se para isso fundamental que os nossos filhos possam saber tomar conta deles próprios, vejam o futuro como algo que eles possam criar e não como alguma coisa que lhes acontece por acaso e, possuam uma atitude filosófica de gosto pela surpresa, curiosidade intelectual e propensão para questionar e “engendrar”. Nessa altura, aprenderão como descobrir, desenvolver, e nivelar as suas forças e elevarem o seu sucesso, ou seja, a concretização de uma qualquer meta/objectivo estabelecida na sua vida, para um nível totalmente novo.

Fácil será então de perceber que nos compete a nós, pais, professores, educadores e direcções responsáveis por estabelecimentos de ensino, assumir a responsabilidade de preparar o ambiente organizacional que permita aos nossos alunos sonhar, saber esquecer, gostar de aprender, ter paciência para repetir, ousar, arriscar, partilhar, pois só assim estes poderão encontrar o caminho para terem sucesso numa vivência equilibrada do uso do Tempo e da Vida.

 

– Quase 50% dos jovens desempregados possuem o ensino secundário ou superior;
– Metade dos desempregados do país são jovens;
– O número de jovens que terminou pelo menos o ensino secundário aumentou 60% desde 1998;
– Cerca de metade dos desempregados têm menos de 35 anos e uma taxa de desemprego de 15,7%;
– Jovens menores de 25 anos, têm uma taxa de desemprego de 23%;
– 30% é quanto os jovens precários ganham a menos, sendo que a precariedade resulta maioritariamente em salários baixos;
– Mais de 1/3 do desemprego de longa duração é registado em jovens com menos de 25 anos;
– Entre os jovens desempregados com formação superior o desemprego de longa duração é de 55%;
– Os jovens são as principais vítimas da precariedade, representando 61,5% dos trabalhadores precários (mais de meio milhão de jovens).

fonte: InterJovem, Março 2011

 


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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Um comentário a “Educar os Empreendedores do Futuro”

  1. Guillermo says:

    Una reflexión con mucho valor Francisco.
    Hace unos días, la pediatra de mi niña, me dijo que Candela aprendería muchos de sus hábito entre los 18 y 24 meses. Guau! Por eso es muy importante lo que comentas. Sin ser muy conscientes durante años aprendemos como es la vida en la educación primaria, secundaria, universidad,… Es el lugar perfecto para que el “emprendimiento” forme parte de nuestro ADN, de nuestra identidad cultural.

    En Iniciativa Joven, trabajar en el sistema educativo valores como la creatividad, la diversidad, lo “glocal”, diseño de proyectos, el markieting,… es algo que nos sigue emocionando! http://www.culturaemprendedora.es/

    Un saludo desde Extremadura
    Guillermo

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