Entrevista ao Leiria Económica

in Leiria Económica 23/11/08

 

Francisco Banha, presidente da Federação Nacional de Associações de Business Angels (FNBA), esteve na Semana do Empreendedorismo da OPEN para formalizar a adesão da OPEN Business Angels à federação. O capital de risco em Portugal, na primeira pessoa.

Que argumentos que convencem um business angel a investir num projecto?

A apresentação tem de ser convincente. O empreendedor tem de dominar totalmente a ideia do projecto e ter capacidade de demonstrar onde está a sua magia, se tem ou não mercado, e se esse mercado permite ter uma rentabilidade atractiva para os investidores. Tem também de demonstrar que conseguiu reunir uma equipa para concretizar o projecto.

Leiria é um distrito que arrisca?

Leiria, e nomeadamente a Marinha Grande, é por si uma das regiões mais empreendedoras do país. Veja-se o que se tem feito na área dos moldes. Agora assume ainda mais essa característica, com a constituição do OPEN Business Angels e a sua adesão à FNABA, beneficiando do efeito de rede de um conjunto de associações que cobrem o território nacional. Terá acesso a projectos não só da Marinha Grande, como de outras regiões, que teriam maiores possibilidades de sucesso se estivessem na incubadora OPEN, resultado do perfil dos empresários que fazem parte do clube, que é seguramente diferente dos que integram o business angels de Guimarães, ou de Lisboa.

Quais são as principais vantagens da adesão do OPEN à FNABA?

São enormes. É mais um membro que vai contribuir, com o seu valor, nomeadamente o engenheiro Joaquim Menezes, que é um dos empresários que mais se tem destacado a nível nacional, e tem muita experiência internacional, resultado da presidência da associação mundial dos moldes, contactos que podem ser úteis para nós. Por outro lado, a própria OPEN vai beneficiar porque a FNABA tem trabalho feito no mercado nacional, onde tem oito clubes, e muitos contactos a nível internacional. Eu e o Paulo Andrez fomos eleitos membros do board da Associação Europeia de Business Angels e vamos liderar o comité de research e training, o que permite ter acesso a muita informação que poderá ser disponibilizada para os respectivos membros. O ano passado fomos pioneiros, a nível mundial, ao conseguir reunir em Portugal 25 membros de business angels dos vários cantos do mundo e estamos na génese da constituição da Associação Mundial de Business Angels. A OPEN terá acesso a esta rede de contactos importantíssima na sociedade do conhecimento em que vivemos.

Há quem diga que não existe um verdadeiro capital de risco em Portugal, porque são exigidas garantias, tal como no crédito convencional. Como comenta?

A razão já não está do lado de quem afirma isso. Há uns três ou quatro anos que as empresas de capital de risco já não estão a exigir essas garantias. Estão a investir nas capacidades do empreendedor e do projecto. Mas os empreendedores ainda têm queixas porque os sistemas que estão ao seu dispor ainda não estão devidamente oleados. O programa FINICIA eixo 1 e eixo 2 – benéfico para business angels e empreendedores – que tinha como objectivo criar 1300 novos negócios, criou 200, e a maior parte tem a ver com microcrédito, e não com microcapital.

Porque é que isso acontece?

Porque ainda existe uma mentalidade, junto das instituições que gerem esses fundos, que os projectos têm de estar devidamente consolidados e dar garantias de possibilidades de implementação. Esses gestores não acreditam que, a partir do momento que um business angel investe num projecto ao lado do empreendedor, não e preciso perder mais tempo a fazer o que nós já fizemos. Se um business angel investe é porque acredita. Se existem os instrumentos de apoio vamos colocá-los em prática. Nós, empreendedores e investidores, devemos ter credibilidade para que não haja grande “burocracia” a dificultar a implementação dos projectos. Eventualmente poderão ter mais risco, mas se não corrermos o risco as coisas também não acontecem, e é isso que nos falta. Tenho vindo a sensibilizar os responsáveis para estas questões e acredito que serão ultrapassadas algumas deficiências e agilizados os processos.

O sistema de incentivos melhorou no que toca ao apoio a investimentos de risco…

Portugal tem, neste momento, um dos melhores programas a nível mundial de apoio aos empreendedores para criar as suas empresas: o programa FINICIA. Precisamos de agilizar e de valorizar a credibilidade e o papel dos business angels, pessoas que toda a vida geriram empresas e podem aportar parte desse conhecimento a negócios que estão a iniciar. Os investidores precisam de um enquadramento fiscal favorável ao desenvolvimento da sua actividade.

O que defende a esse nível?

Que seja replicado para o enquadramento fiscal português aquilo que está a ser feito nos Estados Unidos, em Inglaterra e em França: os investidores poderem deduzir uma parte do investimento que fazem em sede de IRS. Uma empresa internacional de consultoria fez um estudo que conclui que, por um crédito fiscal no IRS do business angel de 10% dos investimentos feitos, com um plafond de 20 mil euros por ano, a despesa fiscal máxima de 700 mil euros vai permitir investimentos na ordem dos 60 milhões. O Estado não fica prejudicado porque os business angels vão ajudar a criar empresas, a gerar emprego de elevadas qualificações, que vai pagar impostos e segurança social. E as empresas pagarão IRC dentro de dois a três anos, se tiverem sucesso.

Como foi recebida essa proposta?

Foi-nos dito para aguardar o próximo ano, para ver o défice público já está mais controlado.


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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