O capital de risco e a transparência

declarações minhas publicadas no Jornal de Negócios (28/05/09) durante o 9º Venture Capital IT

A importância da transparência para o bom funcionamento da indústria de capital de risco encontra-se, há muito, provada de forma irrefutável.

Com efeito, a livre circulação de informações dentro da indústria de capital de risco, e entre esta e os seus muitos intervenientes, incluindo o público em geral, torna-se essencial para criar confiança generalizada e dissipar mitos envolvendo as transacções que se vão conhecendo isoladamente através dos meios de comunicação social.

Os riscos relacionados com a opacidade da informação interferem com a actividade, aumentam os custos, atrasam o crescimento, desencorajam o investimento e tornam o futuro ainda mais difícil de prever, uma vez que a chave para qualquer boa relação de investimentos é a clareza, ou seja, a capacidade para ver, e até mesmo estar em comunicação, com o que realmente se passa.

 

Sublinhe-se que, quando falo na necessidade de clarificar e fazer circular a informação, não pretendo mais do que apelar para que a informação essencial chegue às pessoas certas, nas alturas certas e pelas razões certas, pois esta será, seguramente, a via mais segura de pôr termo à tal opacidade existente e que se afigura tão prejudicial ao encorajamento e dinamização do investimento.

Ademais, esta boa prática evitaria que as análises ao sector do capital de risco fossem efectuadas por "seguidismo" às posições tomadas por quem tem de proteger os seus diversos intervenientes, nem que, para isso, tenha a tentação quase instintiva e humana de "embelezar" a informação com vista a fazer o sector parecer melhor do que realmente é ou até, mesmo, de tentar preservá-lo face às dificuldades com que naturalmente se possam debater, nomeadamente em períodos de recessão económica como aqueles que temos estado a viver.

Ora, o facto de podermos falar, debater, argumentar, discordar e depois debater um pouco mais sobre os problemas do sector, torna-se essencial para que o mesmo possa contribuir, a exemplo do verificado nos EUA e nos principais países europeus, para a melhoria do tecido empresarial através do financiamento da inovação e do empreendedorismo qualificado.


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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