Vivências de um Business Angel

Artigo de Pedro Nunes, responsável pela recém-criada Associação de Business Angels de Santarém:

 

Fotografia tirada com o Pedro Nunes durante o Congresso da EBAN de Abril de 2009 em Madrid.

 

Os meus primeiros contactos com a actividade de Business Angels em Portugal sucederam em meados do ano de 2004, por ocasião do 4º VCIT – Venture Capital IT, iniciativa que de forma perseverante o meu grande amigo Dr. Francisco Banha vem promovendo ano após ano, e diga-se em abono da verdade, cujo verdadeiro mérito e impacto provavelmente apenas será “compreendido” em toda sua amplitude num futuro próximo.

 

Tenho sido testemunha privilegiada do excelente trabalho que o Dr. Francisco Banha tem desenvolvido, ao longo dos últimos 10 anos, em prol do empreendorismo e da promoção do apoio ao surgimento de novas iniciativas empresariais, cuja fase mais visível têm sido inequivocamente os Clubes de Business Angels e em particular a FNABA – Federação Nacional de Associações de Business Angels, de que é actualmente Presidente.

 

Foi provavelmente por isso, e com alguma surpresa, que recebi, em meados do ano passado, o seu convite para lançar um Clube de Business Angels em Santarém, o qual aliás com bastante orgulho prontamente aceitei.

 

Desde essa data procurei inteirar-me mais detalhadamente da realidade da actividade dos Business Angels e dos seus Clubes, tendo de confessar que quanto mais aprofundava os meus conhecimentos desta realidade maior era a minha convicção da sua importância e do papel que inequivocamente irão desempenhar no lançamento de uma “nova geração de empresários”.

 

Uma “nova geração de empresários” com uma dinâmica e um mapeamento mental completamente diferentes do modelo de empresário que caracterizou o século passado – não necessariamente melhor, ou sequer pior, apenas muito, mas mesmo muito diferente !!!

 

Hoje, tenho a profunda convicção que está a nascer em Portugal uma nova realidade empresarial, ainda muito embrionária é certo, mas alicerçada em na dinâmica, ambição e irreverência de jovens com uma visão globalizada do mercado, construída em hábitos que foram crescendo no “novo” mundo virtual que é a internet, e os seus milhões de utilizadores em todo o mundo.

 

Um conjunto de jovens cuja criatividade e espírito inovador nos surpreendem todos os dias – nem sempre com ideias/projectos viáveis ou sustentáveis – mas seguramente comprovando que temos gente capaz de criar, inovar e principalmente OUSAR.

 

Mas o “ponto alto” desta magnifica experiência que tenho vivido nos últimos meses, nos quais aprofundei o meu relacionamento com a comunidade de Business Angels, ainda estava por chegar.

 

No passado mês de Abril de 2009, a convite do actual Presidente da FNABA Dr. Francisco Banha, desloquei-me a Madrid ao Congresso Europeu de Business Angels promovido pela EBAN – European Business Angels Network.

 

Encarei esta minha 1ª participação no Congresso Europeu de Business Angels com um misto de curiosidade e expectativa, e principalmente com o objectivo de poder contactar e conhecer a realidade desta actividade noutros países da Europa, quer nos mais desenvolvidos como o Reino Unido, França e Alemanha, mas também com os países que só agora integraram a União Europeia, como por exemplo a Polónia.

 

Confesso que a expectativa era elevada, porquanto tive oportunidade de escutar interessantes e entusiasmados relatos do Dr. Francisco Banha e do Dr. Paulo Andrez (membro da Direcção da FNABA), sobre os Congressos de anos anteriores onde ambos estiveram presentes.

 

Por questões de logística acabei por fazer coincidir o voo com o Dr. Francisco Banha, o que se revelou excelente pois pudemos aproveitar para articular e desenvolver as acções que estava a preparar para lançamento do Clube de Business Angels de Santarém. Optámos ambos por partir para Madrid ao inicio da noite de Domingo, tendo chegado a Madrid já depois da hora de jantar.

 

Por coincidência, o nosso check-in no Hotel do Congresso coincidiu com a chegada do autocarro dos Congressistas que acabava de terminar a visita guiada a Madrid que era proporcionada pela Organização do Congresso, e da qual nós abdicáramos por termos ambos um conhecimento já bastante razoável da bonita capital espanhola.

 

Testemunhei e confirmei nesse preciso momento, a notoriedade que o Dr. Francisco Banha goza junto da Comunidade de Business Angels internacional, pois cada Congressista que saía do autocarro e ao avistar o nosso pequeno grupo gritava – “Francisco !!!” – nas mais variadas pronúncias, que confesso-vos fariam rir à gargalhada o mais sisudo dos nosso conterrâneos.

 

Foram dois dias intensos, em que quase não vislumbramos o sol, mas extremamente ricos e proveitosos, tendo tido oportunidade de conhecer e partilhar das experiências de alguns dos mais proeminentes Business Angels da Europa e dos Estados Unidos da América, neste último caso um país em que a actividade e a comunidade de Business Angels tem uma longa tradição e implantação com assinaláveis “sucess story’s” que nos encheram de optimismo, espírito positivo e motivação.

 

De facto, se porventura existe uma característica comum aos Business Angels de todo o mundo, na minha opinião essa característica é o “espírito positivo”, sentimento que foi necessariamente enquadrado pelo contexto de recessão mundial que atravessamos, mas que inequivocamente não perdeu de modo algum a sua força de positivismo, que confesso contagia a tudo e todos.

 

Mas quero partilhar com todos o que considerei o momento mais interessante da minha experiência como Congressista.

 

Durante o jantar de gala que precedeu a cerimónia de apresentação e atribuição dos Prémios EBAN 2008, a distribuição dos lugares efectuada pela Organização colocou-me num muito curioso posicionamento entre um “veterano” Presidente de um Clube de Business Angels Britânico e um “jovem” quadro de um Clube de Business Angels de São Francisco nos Estados Unidos da América.

 

O jantar prometia, em perspectiva o confronto entre o tipicamente conservadorismo Britânico cabalmente representado por um “veterano” e a irreverência tipicamente Americana de um “jovem” Californiano.

 

As expectativas não foram defraudadas !

 

Foi muito curioso verificar as duas visões e formas de abordagem dos projectos/ideias, e concluir provavelmente o que seria de esperar, que o processo de análise dos Britânicos é fortemente baseado em decisões muito ponderadas e racionais, e que no caso dos Americanos se aposta muito na “intuição” e não se coíbem de correr riscos muito elevados se o potencial de crescimento do negócio for muito grande.

 

Infelizmente em Portugal ainda estamos anos-luz da realidade do empreendorismo e dos Business Angels nestes dois países, não em termos de qualidade dos empreendedores e das ideias/projectos que vão surgindo (sinceramente tenho testemunhado algumas ideias que nada perdem com muitas que constatei serem casos de sucesso internacionais), mas principalmente ao nível das condições de apoio ao seu surgimento e lançamento.

 

Reparem neste “detalhe”: Durante o jantar o referido “veterano” Britânico, sabendo que eu estava a liderar o processo de criação de um novo Clube de Business Angels em Portugal, perguntou-me qual o montante que tínhamos disponível para financiar os investimentos dos novos pr
ojectos. Numa primeira fase confesso que não percebi a pergunta e respondi-lhe que não lhe sabia dizer, porque isso dependia do montante que cada Business Angel membro do Clube entendesse em cada momento investir.

 

Mas com o complemento da questão percebi o alcance da mesma – ele queria saber qual o montante de Fundos do Estado que o nosso Clube dispunha para financiar os novos projectos !!!

 

Obviamente que lhe respondi: Fundos do Estado não temos, cada membro investe o que entende nos projectos que selecciona, e “eventualmente” pode depois tentar obter comparticipações do Estado no âmbito das Capitais de Risco e/ou Fundos Comunitários do QREN.

 

Eloquente resposta do meu “amigo” britânico: Good-Luck !!!

 

Eu sei ! Vamos precisar !

 

Santarém, 18 Julho de 2009

 

Pedro Gomes Nunes

MBA em Gestão de Empresas

Director Executivo da RISA Consulting

Presidente do Clube de Business Angels de Santarém

pedronunes@risa.pt


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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