A Importância dos Venture Catalysts

Apesar dos últimos anos estarem a ser caracterizados por uma grande “desintermediação” das actividades financeiras em geral, permitindo que as empresas tenham acesso directo aos mercados financeiros sem passarem por intermediários, o mesmo não se passa nas actividades de capital de risco , capital de desenvolvimento e capital de transmissão, onde a presença de um intermediário continua a ser indispensável uma vez que:

– trata-se de financiamento de alto risco;

– a análise dos projectos e das estratégias das PME continuam um assunto de especialistas;

– a engenharia financeira a introduzir é muitas vezes complexa;

– é uma aliança de capitais e de assistência à gestão.

Acresce ainda do lado do empreendedor os receios relacionados com a suspeição de que as Sociedades de Capital de Risco lhes irão “roubar as ideias” e/ou tomar o controlo dos seus negócios para satisfazerem os seus objectivos à custa do bem estar dos empreendedores e dos seus projectos.

A superação das características apresentadas, de que depende em parte o êxito da indústria de capital de risco, tem vindo a ser possível nos últimos anos, quer nos países Anglo-Saxónicos, quer mais recentemente em França e Espanha, através da intermediação de operadores especializados, na angariação de capitais próprios para financiamento de empresas de alta tecnologia ou de empreendimentos que pressuponham elevadas rentabilidades futuras, que se designam por “Venture Catalyst”.

O “Venture Catalyst” é assim um intermediário especializado, no sector de capital de risco, que possui relações privilegiadas com os investidores, quer sejam institucionais, quer sejam privados (Business Angels por exemplo), que lhes permitem assistir e apoiar os empreendedores no financiamento das suas start-up.

Desde o estudo do projecto à conclusão dos negócios com o investidor o “Venture Catalyst” actua como um catalisador para acelerar a passagem das diferentes etapas que o empreendedor terá de vencer até conseguir que a SCR financie o seu empreendimento.

Assim:

Analisar e efectuar o “apport” de sugestões no business plan a desenvolver;

Identificar e seleccionar os potenciais investidores que melhor se adaptem às necessidades do empreendedor;

Assistir e acompanhar o empreendedor no processo de negociação (apresentações, montagem financeira da operação, pacto social, etc…)

Constituir equipas de gestão profissionais que permitam facilitar o cumprimento do plano.

São tudo funções que competem a um “Venture Catalyst”.

No entanto as funções do “Venture Catalyst” não são apenas ao nível dos empreendedores mas também ao nível dos próprios investidores nomeadamente na:

Criação de clube de investidores (Business Angels) que permitam a estes um acesso privilegiado a novas oportunidades de capital;

Selecção e apresentação de projectos com elevado potencial de crescimento;

Implicação da equipe do “Venture Catalyst” no seguimento do projecto de investimento;

Procura de oportunidades de desinvestimento e de consequente rendibilidade dos investimentos realizados.

Ao nível dos investidores a funções do “Venture Catalyst” assume particular importância uma vez que lhes permitem acelerar os processos de selecção de oportunidades de investimento (o envolvimento dos “Venture Catalysts” num dado projecto assegura muitas vezes, por si só, a idoneidade do empreendedor) ganhando tempo, que é no mundo em que vivemos hoje, um bem cada vez mais precioso.

Por outro lado os empreendedores podem beneficiar da experiência e do conhecimento do mercado por parte dos “Venture Catalysts” os quais lhes permitem maximizar o valor do negócio dado o acesso privilegiado a um número de compradores potenciais incluindo, obviamente, investidores estrangeiros.

Este facto é tanto mais importante quanto se sabe que a identificação dos investidores, em capitais próprios, é uma tarefa longa e difícil, e por muitos nunca alcançada. Não só porque o dossier de investimento não está em condições (actividade mal descrita, pouco clara, ambição insuficiente, um Business Plan somente centrado na tecnologia e no produto ou um Business Plan que só tem ênfase na vertente financeira, são habitualmente motivos de rejeição) mas principalmente porque os empreendedores não sabem localizar o investidor mais adequado.

Importa, no entanto, referir que para além da função de angariação de capitais, propriamente dita, existe uma outra de cariz pedagógico pois a lição mais importante que um “Venture Catalyst” dá a um empreendedor é fazê-lo perceber que apesar da competição existir ele pode vencê-la, i.e., fazer o empreendedor imaginar que está a jogar um jogo de xadrez com um campeão, de nível mundial, do outro lado do tabuleiro tendo necessidade de adivinhar como conseguir o xeque-mate, em quinze jogadas, e como fazê-lo sem que a competição o perceba. Ou seja, fazer o empreendedor “pensar alto”.

À medida que o ritmo de mudança aumenta, as empresas já não podem confiar nas suas antigas práticas comerciais para manter a prosperidade. Têm necessariamente de procurar abordagens actuais mais eficazes à rendibilidade dos seus negócios, através de um melhor conhecimento dos seus clientes, tecnologias de ligação ao cliente e conhecimento dos aspectos económicos do cliente.

Para o efeito, a colaboração e o trabalho em rede com outras empresas e o recurso ao outsourcing, junto de empresas especializadas, é cada vez mais importante na criação de factores de diferenciação, nas diversas indústrias, pelo que acreditamos que também as Sociedades de Capital de Risco portuguesas irão equacionar o recurso a novas formas de criação e inovação no seu marketing, nomeadamente através do recurso a operadores especializados como são os “Venture Catalysts”, por forma a criar mais valor ao seu mercado alvo que são os empreendedores.

 


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels") e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels). Director da EBAN e da WBAA

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