Entrevista ao jornalista André Mendes do Caderno Dinheiro Vivo do DN

Business Angels

A pergunta chave é: Tenho uma ideia de negócio, uma micro empresa, mas os bancos estão a cortar o financiamento. Quais são as alternativas?

Respondo com outra pergunta: pretende abrir uma loja de gelados? Estabelecer um gabinete de consultoria? Criar uma nova aplicação para o telemóvel? Quero com isto transmitir que diferentes fontes de financiamento aplicam-se a diferentes tipos de negócio. Temos atualmente um mercado amadurecido que disponibiliza financiamento praticamente sob as mais diversas formas. Por vezes a oferta pode não corresponder à procura mas essa é a falha que devemos procurar colmatar ao chamar a atenção para as medidas que devem ser implementadas.

A identificação do financiamento mais adequado reside muito no próprio modelo de negócio, nomeadamente se este permite cobrar primeiro e pagar depois (ex. créditos pré-pagos, frequente em serviços/ vendas na internet), se exige uma quantidade considerável de armazenamento (necessário para obter preços mais competitivos junto dos fornecedores), se os colaboradores podem ser remunerados total ou parcialmente com base em resultados (uma tendência que se generaliza para maior segurança das empresas), se requer o investimento em equipamentos produtivos (ativos físicos são mais fáceis de financiar junto da banca), entre outros fatores. É assim importante não só ter a ideia de negócio mas mais ainda perceber como ela pode ser executada – por vezes com um modelo de negócio inovador – e que seja compatível com a capacidade real de financiamento.

Para aqueles que já pensaram nas suas possibilidades recordo que além do financiamento bancário existem ferramentas que podem constituir uma solução:

– o leasing pode assumir um papel muito importante na flexibilização de custos de viaturas, equipamento informático ou outros equipamentos (mesmo software!).
– a garantia mútua é uma solução adequada para muitas PMEs e que permite alavancar o acesso a juros mais baixos.
– o micro-crédito é adequado para empreendedores que pretendem criar o seu posto de trabalho e faz parte da oferta de muitos bancos, estando disponível para quem mostrar competências na área de atividade que quer implementar.
– o capital de risco faz também parte do leque de opções, nomeadamente os investimentos de baixo montante que são disponibilizados pelos mais de 500 business angels portugueses. Esta é uma opção limitada a um grupo muito restrito de empresas que apresentam um potencial de crescimento que compensa o risco do investimento em fases muito iniciais (e imprevisíveis) de desenvolvimento.

 

– Existem linhas de crédito do Governo?

As iniciativas de que tenho melhor conhecimento são especialmente dedicadas à criação de emprego e visam sobretudo desempregados e jovens que procuram criar o seu posto de trabalho e que acreditam nas suas competências.

Recordo-me em particular da linha protocolada entre a CGD, o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), as Sociedades de Garantia Mútua (SGM) e a Sociedade de Investimento (SPGM) que permite financiamentos bonificados de 7 anos até 100.000€ (Microinvest e Invest+). Ver informação detalhada em: https://www.cgd.pt/Institucional/Banco-Social

O FINICIA Jovem, pela mão do IPJ – http://juventude.gov.pt/ – permite a concessão de microcrédito até 25.000€ com taxas de juro atrativas a jovens desempregados ou “sub-empregados” que preenchem uma série de requisitos que infelizmente correspondem a muitos jovens portugueses.

 

– Ouço falar de business angels. Mas onde é que estão? Como é que consigo lá chegar?

Se há 5 anos podíamos considerar os business angels quase como um “mito”, tão difícil era encontrar investimentos onde estes estivessem a participar, hoje só não os vê quem não os procurar. Após um período onde a informação assumiu um papel preponderante e que permitiu generalizar (e familiarizar) o termo business angel , hoje constatamos que eles estão no terreno, a falar com os empreendedores e a investir de norte a sul do país.

O fundo de co-investimento criado para business angels e dotado de 42 milhões de euros está particularmente a mudar o comportamento destes e a fazê-los dar um destemido passo em frente, o que é visível nos 6 milhões de euros já investidos em 2011.

Investindo em diferentes sectores e regiões e com 36 milhões de euros para aplicar até 2013, esperamos no mínimo garantir que todos os projetos que sejam apresentados a qualquer uma das sociedades veículo que foram criadas (54 no total!) ou às associações de business angels – ambas listadas no site da FNABA (www.fnaba.org) – e que apresentem uma equipa competente e uma proposta de investimento credível e ambiciosa tenham a oportunidade de obter o financiamento de que necessitam.

Conforme já referi esta via de financiamento não se aplica a todas as empresas. É preciso ter uma proposta forte e um modelo de negócio adequado ao que estes investidores procuram. Por esse motivo o acesso a serviços profissionais proporcionados por empresas privadas, universidades, centros de empreendedorismo ou agências de desenvolvimento podem fazer a diferença não só no apoio na preparação do plano de negócios mas também na identificação do tipo de financiamento ou até dos investidores mais adequados a abordar.


Licenciado e Mestre em Gestão de Empresas. Presidente da Gesbanha, S.A., especialista em capital de risco e empreendedorismo, investidor particular ("business angels"). Director da EBAN e da WBAA

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